Ela acorda todo dia à 6h19, depois de umas três ou quatro sonecas. Com a cara amassada toma o banho corrido, escova os dentes, veste a primeira roupa que está na frente. A calça, muitas vezes, insiste em ser a mesma vários dias da semana. Normalmente ela erra a roupa. Frio em tempos de calor, e blusinhas de alça com o tempo frio.
Pega o lanche, joga na bolsa e sai. São três quarteirões ladeira abaixo, algumas vezes a passos rápidos. No ônibus, sempre apertado, a localização deve ser estratégica para sentar pelo menos um pouco. Fones de ouvidos trabalham com as mesmas músicas de sempre.
Sete horas. As deliciosas músicas dão espaço para o jornal da manhã. Desce do ônibus, e anda mais um pouco até o destino final – da manhã. Passos rápidos dão uma paradinha para a garrafinha ser abastecida de água.
Entra, liga o computador e a rotina começa – ou continua. Lê, transcreve, escreve, escreve, escreve, escreve... Ouve, assiste... Aprende! Muito!
Seis horas depois ela sai dali e, mesmo com o destino incerto, acaba sendo tudo igual. Casa, trabalhos e algumas vezes sono, concreto ou não.
A “rotina noturna” começa às 17h com os preparativos, às 18h, o barulho da buzina dá início à viagem. No destino, muita enrolação, aprendizado e alguns bons amigos.
Já de volta, por volta de 23h30, o namoro de verdade se transforma em virtual por alguns 20 minutos. Assuntos colocados em dia e cama!
No meio dessa rotina, na parte noturna de uma terça-feira, ela se vÊ cansada! Ela deseja mais força para fazer diferente e agir mais.
Ela se vê meio triste, meio frustrada e meio mais ou menos: o cabelo mais ou menos, a pele, o rosto e o corpo. Tudo mais ou menos. As férias – não acadêmicas – não existem. A possibilidade de uma viagem cada dia mais distante. O salário não deve ser comentado. O tempo para ler um livro é aquele dentro do ônibus – quando ela não se entrega ao cansaço e cochila – ou em salas de espera.
Mesmo assim, o desejo ode manter os sonhos e realizá-los estão ali, sempre por inteiro.







